segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Prevenção de Úlceras em Pé de Diabéticos

Ontem, dia 14 de Novembro, foi o Dia Mundial da Diabetes.
No seguimento desse dia, e vendo todos os dias muitos doentes com úlceras causadas pela Diabetes e a ignorância de muitas pessoas sobre o assunto que é de imensa importância, resolvi então falar aqui um pouco do assunto.

A diabetes é considerada a grande doença do século XXI. Tem um elevado peso nas despesas dos sistemas de saúde, e actualmente há cerca de 285 milhões de diabéticos, podendo chegar aos 435 milhões em 20 anos se não se adoptarem medidas de educação e prevenção.

Por ano, há mais 7 milhões de novos diabéticos, 4 milhões morrem por causa da diabetes e a cada 30 segundos um diabético sofre uma amputação. A cada 10 segundos uma pessoa fica diabética e já é a 4ª causa de morte no mundo.

Por tudo isso, a prevenção de úlceras em pés de diabéticos é de extrema importância, pois estas e as amputações são das complicações mais temidas, havendo um grande impacto a nível pessoal e social. As feridas no pé limitam gravemente a função, capacidade de trabalho e qualidade de vida do diabético, sendo as úlceras e amputações as principais causas e internamento destes pacientes.

2 a 5% dos diabéticos desenvolvem úlcera do pé e só dois terços cicatrizam. Cerca de 28% dos diabéticos que desenvolvem úlcera crónica sofrem amputação dos membros inferiores ou parte dele. A Diabetes Mellitus é responsável por 40 a 60% de todas as amputações não traumáticas.

Muitas vezes, mesmo que a úlcera seja curada, esta volta a recorrer.

A redução da incidência de ulceração e amputação em pacientes com diabetes é um dos principais objectivos. E um dos principais desafios na prevenção de úlceras é encontrar intervenções mais eficazes.


Os principais factores de risco identificados em diversos estudos são:

- neuropatia diabética (origina perda ou alteração de sensibilidade dos pés, causando dores, deformações, feridas, infecções que podem levar à amputação do membro, origina debilidade e atrofias musculares ou alteração do funcionamento dos órgãos internos)

- vasculopatia diabética (relacionada com a arterosclerose, sendo vista nas artérias, arteríolas e pré-capilares).

Por vezes o tabagismo, a duração da diabetes e o tratamento com insulina também são factores de risco. Úlcera ou amputação prévia.


O que fazer para prevenir então as úlceras?

1. Controlar a glicemia

A hiperglicemia, neuropatia periférica e ulceração estão associadas. O controlo glicémico ajuda a reduzir o risco de formação de úlceras, diminuindo também o risco de desenvolvimento de neuropatia periférica.


2. Tratar a Doença Arterial Periférica

A doença arterial periférica (DAP) contribui para o risco de amputação em pacientes diabéticos. Os factores de risco são da DAP são o tabagismo, a hipertensão, dislipidemia e a diabetes de longa duração. A insuficiência arterial por norma atrasa o encerramento da úlcera, nos pacientes diabéticos.


3. Tratar a Neuropatia Periférica

A neuropatia diabética (ND) é uma das principais causas de ulceração nos pés.
Os níveis de glicemia controlados reduzem a incidência da ND mas quando esta já existe, não parecem reverte-la. A cirurgia descompressiva é uma medida de melhoria da sensação de protecção e diminui o risco de formação de úlceras, mas não há nada que conclua que a cirurgia tem algum benefício na ND.


4. Analisar o pé em casa e anualmente no seu médico ou podologista

Os diabéticos devem realizar anualmente exame aos pés, que analise a presença de neuropatia periférica, formação de calos, onicomicose, deformidades estruturais, distúrbios circulatórios, feridas e uso de calçados adequados.

(Ver “Cuidados a ter com os pés” http://saude.sapo.pt/abc_saude/p/podologia/ver.html?id=1014517 )


5. Tratar a Distribuição Anormal da Pressão Plantar

Os parâmetros que são usados no prognóstico do risco de ulceração incluem a pressão de pico plantar, a pressão sob as cabeças dos metatarsos e a relação de pressão entre as regiões anterior e posterior do pé. Maiores valores de pressão são indicadores de ulceração.


6. Usar Calçado e Acessórios Especializados

Calçado especializado é usado para correcção da distribuição anormal da pressão da planta dos pés em diabéticos, para se reduzir o risco de ulceração.


Existem vários sites, alguns de Podologistas que estão bem explícitos quanto a este assunto e especialmente ao pé diabético, os cuidados a ter, etc.


Até Breve!!!

sábado, 19 de setembro de 2009

Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)

O Que é a SAOS?
A SAOS é uma patologia respiratória que se caracteriza por episódios frequentes de apneias do tipo obstrutivo e/ou hipopneias, muitas vezes acompanhados de dessaturações arteriais de oxigénio e alterações cíclicas da frequência cardíaca nocturnas.
Ocorre mais no género masculino, acima dos 40 anos, por norma obesos e é a causa mais frequente de sonolência diurna excessiva.
O Que é a Apneia?
É a interrupção do fluxo aéreo por um período igual ou superior a 10 segundos, que resulta da oclusão total da faringe durante o sono.

O Que é a Hipopneia? É a diminuição do fluxo oro-nasal em pelo menos 50% do fluxo normal que resulta da oclusão parcial da faringe, com descida da saturação de oxigénio no sangue em pelo menos 4%.

Existem
2 tipos apneia
Apneia Obstrutiva – Episódios de apneia em que há esforço ventilatório mas não há fluxo aéreo.
Apneia Central – Ocorre interrupção de fluxo aéreo e esforço respiratório

Classificação da SAOS
É classificada pelo número de apneias nocturnas:
SAOS Ligeira entre 10-20 episódios de apneia.
SAOS moderada entre 20-30 episódios de apneia.
SAOS acentuada superior a 30 episódios de apneia.
E é também avaliada pela relação das fases do sono com o número de episódios de apneia/hipopneia em 1 hora, pelo Índice de Apneia(IAS).
Um IAS superior a 10 eventos por hora é patológico.

ESCOLA DE SONOLÊNCIA DE EPWORTH
A escala de sonolência de Epworth serve para se tentar quantificar a sonolência diurna, tendo um máximo de 24.


Qual é o risco de dormitar nestas situações?
Isto refere-se ao seu dia a dia recente. Mesmo que não tenha feito estas coisas, tente imaginar como elas o afectariam.

Total:
(Hipersónia diurna patológica. >15)


Sinais e Sintomas da SAOS (referidos por vezes pela/o companheira/o)
· Ressonar
· Sono agitado
· Paragens respiratórias
· Despertares frequentes durante a noite
· Necessidade de urinar com frequência durante a noite (nictúria)
· Perturbações sexuais
· Hipersonolência diurna
· Cefaleias matinais
· Dificuldade de concentração e alterações de memória
· Alterações de personalidade/humor
· Fadiga diurna excessiva
· Diminuição da libido
· Ansiedade e depressão
· Hipertensão Arterial (HTA)
· Excesso de peso ou obesidade, etc.

Esta patologia pode causar vários problemas cardiovasculares (hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, entre outros), na maioria dos casos, o tratamento reverte estas situações.


Repercussões sociais, familiares e laborais
· Dificuldades de relacionamento conjugal e familiar
· Desinteresse no trabalho e no lar
· Medo de dormir
· Acidentes no trabalho e de viação
· Perturbações cognitivas
· Suicídio, etc.
O diagnóstico
é feito por:
· a história clínica do doente (roncos, sono agitado, etc)
· o exame físico (cavidade oral, nasal, faríngea, etc)
· o exame diagnóstico e diferencial (Rx, RM, TAC, ECG, polissonografia, screening, etc)
O exame mais específico e especializado para a detecção de SAOS é o estudo do sono, quer seja efectuado em registo polissonográfico de ambulatório ou em laboratório/clínica do sono.

Recomendações comportamentais para indivíduos com SAOS:
· perder peso
· evitar álcool antes de dormir, no mínimo 4 horas
· evitar medicamentos sedativos antes de dormir
· evitar dormir de costas (barriga para cima)
· evitar refeições pesadas antes de dormir
· evitar bebidas com cafeína antes de dormir(4horas)
· evitar fumar no mínimo 4 horas antes de dormir
· evitar comer a meio da noite
· evitar privação de sono
· procurar manter um horário constante para dormir e acordar
· levantar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 centímetros
· eventualmente, dormir sentado numa poltrona
· controlar infecções, inflamações, principalmente das vias aéreas
· procurar o seu médico.


Tratamento:
· Alterações comportamentais anteriormente descritas
· Tratamento farmacológico
· Oxigenoterapia / Ventilação
· Próteses bucais de avanço mandibular
· Dispositivo anti-ronco (DAR)
· Tratamento cirúrgico






Saudações!!!

domingo, 23 de agosto de 2009

Síndrome de apneia obstrutiva do Sono- Curso Pós-Graduação

Caros profissionais de saúde (em particular cardiopneumologistas e médicos),


estão abertas as inscrições para uma Pós-Graduação sobre Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) que se irá realizar no Funchal, pelos dias 8, 9 e 10 de Outubro.

Para mais informações, consultar http://www.aptec.pt/images/stories/files/varios/prog_%20port_final.pdf para saber infromações acerca da inscrição, programa, etc., ou pelo site da APTEC ( http://www.aptec.pt/ ).


Saudações


A CPL  Catarina Possacos :)