segunda-feira, 4 de maio de 2009

Factores de Risco

Hoje vou falar dos factores de risco.


Existem muitos factores (alguns causados por nós) que levam ao aparecimento de algumas doenças. Muitos desses factores, nós podemos controlar.
O que são então os factores de risco? São condições que predispõem um utente a maior risco de desenvolver uma determinada doença.


Os factores de risco podem-se dividir em 2 classes: os modificáveis e os não modificáveis.


Factores não modificáveis - são factores que não podemos mudar e por isso não podemos tratá-los. São eles:


- Hereditários: Os filhos de pessoas com determinada doença têm uma maior tendência para desenvolverem doenças desse grupo.


- Idade: São doenças que aparecem em determinada idade, como por exemplo, as doenças cardíacas têm predisposição a aparecer em idades mais avançadas, devido à perda de qualidades dos tecidos coronários que vão também envelhecendo.


- Sexo/género: Doenças que atingem mais ou só pessoas de determinado sexo/género, como por exemplo, adrenoleucodistrofia (ALD) que é uma doença genética rara, que só atinge homens, cujo problema está localizado no cromossoma X e ataca o cérebro e o sistema nervoso central.


- Etnia/raça: Doenças que atingem mais as pessoas de determinada etnia ou raça, como por exemplo, pessoas da raça negra são mais propensos a hipertensão arterial e a doença costuma ter um curso mais severo. Pessoas da África ocidental e das Caraíbas têm o dobro do risco de ter um AVC em relação a uma pessoa caucasiana.


Factores modificáveis - são factores sobre os quais podemos influenciar, mudar, prevenir ou tratar. São eles:


- Tabagismo/fumar
- Obesidade
- Sedentarismo
- Maus hábitos alimentares
- Colesterol elevado
- Hipertensão arterial
- Diabete mellitus
- Anticoncepcionais orais
- Ingestão de bebidas alcoólicas
- Uso de drogas ilícitas
entre outros…



Estes factores de risco mutáveis, com foi referido, são factores que podemos alterar e quase sempre estão relacionados com o estilo de vida de cada pessoa. Para isso basta, por vezes, alterar esse estilo de vida. Esses factores de risco mutáveis podem causar diversas patologias, algumas delas por vezes graves. Por isso mesmo, serão abordadas mais tarde, isoladamente em próximos post's.


Até breve.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A importância dos exames médicos

Muitos utentes só procuram o médico quando estão doentes.
Infelizmente, a maior parte das vezes, nem se sabem queixar. Não sabem dizer quais os sinais e sintomas que as doenças lhes têm dado ultimamente. E essa, é uma das grandes queixas de médicos e outros profissionais de saúde, pois é uma fase muito importante para o bom e correcto diagnóstico das doenças.Esses diagnósticos, são feitos por exames médicos, onde por norma se usam meios de diagnóstico avançados (estes, por sua vez, são executados por outros profissionais de saúde que referi no post Informação sobre profissionais de saúde I).
Os exames médicos de rotina são uma forma de diagnosticar doenças precocemente e não devem ser dispensados de forma alguma.Ao se examinar os utentes, os médicos e profissionais de saúde lamentam muitas vezes o facto de a doença ter atingido um estado tão avançado que por vezes inviabiliza a cura.Em muitos casos, com a ajuda dos modernos testes de diagnóstico poderia-se ter detectado a doença meses ou até anos antes do aparecimento de sintomas ou de quaisquer outras alterações.
A detecção precoce de sinais de uma doença no seu estádio pré-sintomático pode permitir que o tratamento seja mais eficaz e, muitas vezes, mesmo curativo. Este processo de diagnóstico precoce é também chamado de rastreio.
Nos últimos anos, são cada vez mais frequentes os programas de rastreio proporcionados por instituições de saúde pública, centros de saúde e clínicas a diferentes grupos etários, profissionais ou outros.
Os rastreios médicos podem ser dirigidos à população em geral ou a subgrupos de especial risco.Na sua maioria, os exames médicos de rastreio são efectuados por pessoal médico, de enfermagem ou outros profissionais de saúde, mas as pessoas podem fazer alguns tipos de exames por iniciativa própria, como o auto-exame dos testículos ou dos seios.

É graças a estes exames que se detectam precocemente as doenças e se pode realmente garantir resultados do tratamento, sendo administrados tratamentos por vezes menos agressivos e mais fáceis de executar e de administrar, bem como mais fáceis de aguentar para o doente, podendo então chegar mesmo à cura ou se ter um prolongado tempo sem sintomas.


Existem vários tipos de exames de rastreio que devem ser frequentemente executados.
Por exemplo: os recém-nascidos são examinados por um pediatra, que procura detectar várias anomalias, como lesões cardíacas e perturbações cerebrais e do sistema nervoso. É colhido sangue aos recém-nascidos para o despiste de fenilcetonúria (doença bioquímica) e hipotiroidismo (doença hormonal), que, se não forem detectados, podem causar graves doenças ainda durante a infância. Os recém-nascidos e as crianças em geral são ainda submetidos a controles regulares para se monitorizar o seu crescimento e avaliar o seu desenvolvimento físico e mental (incluindo a visão e a audição).


Em relação aos adultos, todos deverão sistematicamente controlar a tensão arterial (no mínimo, deverá ser registada anualmente ou de dois em dois anos, se os valores forem normais). A detecção de hipertensão arterial numa fase precoce poderá constituir o exame de rastreio mais valioso e, além disso, é um procedimento seguro e simples.


Também é muito importante o controle regular do peso.


Os testes de medição do colesterol são necessários para a identificação precoce dos factores de risco das doenças cardiovasculares. Em regra, os médicos recomendam a determinação regular do colesterol no sangue (colesterol, triglicéridos e HDL) às pessoas com familiares que sofreram um ataque cardíaco, bem como às pessoas com outros factores de risco, como uma combinação de hipertensão arterial e tabagismo, vida sedentária, obesidade, diabetes, gota, etc. Fazem-se análises ao sangue.


Para controlo e detecção de doenças cardiovasculares devem fazer-se, pelo menos, uma vez por ano (ou com a mesma frequência que se fazem análises ao sangue) um electrocardiograma, mesmo estando tudo normal. Em casos que existem problemas cardíacos na família ou alguém que tenha tido um enfarte ou um AVC, deve fazer-se, uma ou duas vezes por ano (o ideal seria de 3 em 3 meses).

Para quem tem hipertensão arterial deveria fazer uma vez por ano, além do electrocardiograma, um ecocardiograma para avaliação funcional e estrutural do coração, de modo a se verificar se hipertensão arterial e/ou a medicação para a mesma estão a causar danos no coração.


As análises de urina de rotina incluem as análises químicas para a detecção de proteínas, açúcar e corpos cetónicos e o exame microscópico para detectar glóbulos vermelhos e brancos. Os testes que se realizam num laboratório de maneira simples e económica podem detectar e medir a quantidade de diversas substâncias na urina. Por isso é importante que se realizem pelo menos uma vez por ano, de forma a se verificar se está tudo bem a nível funcional de toda a estrutura urinária e renal e poderem se detectar outras anomalias como diabetes, intoxicação alcoólica, colesterol, entre outras.


Seja em jovens, seja em adultos iniciados na vida sexual, principalmente, deveriam fazer uma vez por ano análises a doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), especialmente ao HIV/SIDA.


Os exames periódicos dos olhos são importantes, sobretudo a partir dos 40 anos. Tanto a visão como o interior do olho devem ser examinados. Quem tiver na família casos de glaucoma deve submeter-se, a partir dos 40 anos, a exames oftalmológicos de dois em dois anos para a medição da tensão ocular.


Os exames estomatológicos são essenciais, devendo ser efectuados com uma periodicidade semestral até aos 21 anos e, a partir desta idade, anual ou bienalmente.


Os testes de rastreio do cancro são cada vez mais importantes. E dividem-se em dois grupos: os adequados à população em geral e os destinados aos grupos de alto risco.

Todos os homens deveriam aprender a examinar periodicamente os testículos. O cancro do testículo, o mais comum entre os homens com menos de 40 anos, é facilmente curável quando detectado precocemente. Também é importante a detecção precoce de cancro na próstata.

Igualmente, todas as mulheres devem aprender a examinar os seios, além de deverem fazer regularmente mamografias e ecografias mamárias a partir dos 50 anos.

As mulheres que alguma vez tiveram relações sexuais deverão fazer o exame citológico do esfregaço vaginal de três em três ou de cinco em cinco anos (ou com maior frequência, se tiverem sofrido uma infecção viral na região genital).


Depois dos 50 anos, qualquer pessoa que tenha na sua família casos de cancro no intestino deve submeter-se a uma análise anual para detecção de sangue nas fezes. Os indivíduos que trabalham em determinadas indústrias têm mais probabilidades de contrair certas formas de cancro e podem por isso beneficiar desses rastreios.


Como podem ver, é extremamente importante fazer alguns tipos de exames anualmente para se manter um corpo são, conseguirmos controlar melhor possíveis doenças que surjam e conseguirmos obter o bem estar físico do nosso organismo!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Direitos e Deveres do Utente

Hoje, vou falar sobre os DIREITOS E DEVERES DOS UTENTES. Algo que é simples, mas que muitos utentes desconhecem.

Não poderia começar a falar dos Direitos e Deveres do Utente, sem vos dizer antes, qual é a DEFINIÇÃO DE SAÚDE segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para a OMS: “A saúde é o completo bem-estar físico, mental e social e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade. “

Saúde não significa apenas não estar doente. Saúde é muito mais que isso. E como toda a gente tem direito à saúde, vou falar dos Direitos e dos Deveres do Utente. Porque todos nós somos responsáveis pelo nosso próprio corpo e por mantê-lo são.

Na “Carta dos Direitos e Deveres dos Utentes” estão presentes os seguintes DIREITOS:
“1- O doente tem direito a ser tratado no respeito pela dignidade humana;
2 - O doente tem direito ao respeito pelas suas convicções culturais, filosóficas e religiosas;
3 - O doente tem direito a receber os cuidados apropriados ao seu estado de saúde, no âmbito dos cuidados preventivos, curativos, de reabilitação e terminais;
4 - O doente tem direito à prestação de cuidados continuados;
5 - O doente tem direito a ser informado acerca dos serviços de saúde existentes, suas competências e níveis de cuidados;
6 - O doente tem direito a ser informado sobre a sua situação de saúde;
7 - O doente tem o direito de obter uma segunda opinião sobre a sua situação de saúde;
8 - O doente tem direito a dar ou recusar o seu consentimento, antes de qualquer acto médico ou participação em investigação ou ensino clínico;
9 - O doente tem direito à confidencialidade de toda a informação clínica e elementos identificativos que lhe respeitam;
10 - O doente tem direito de acesso aos dados registados no seu processo clínico;
11 - O doente tem direito à privacidade na prestação de todo e qualquer acto médico;
12 - O doente tem direito, por si ou por quem o represente, a apresentar sugestões e reclamações. “


Como para vivermos em equilíbrio na sociedade, não temos só direitos, mas também deveres que devemos sempre respeitar e tentar cumprir.

Seguem-se então os nossos DEVERES enquanto utentes:

“1 - O doente tem o dever de zelar pelo seu estado de saúde. Isto significa que deve procurar garantir o mais completo restabelecimento e também participar na promoção da própria saúde e da comunidade em que vive;
2 - O doente tem o dever de fornecer aos profissionais de saúde todas as informações necessárias para obtenção de um correcto diagnóstico e adequado tratamento;
3 - O doente tem o dever de respeitar os direitos dos outros doentes;
4 - O doente tem o dever de colaborar com os profissionais de saúde, respeitando as indicações que lhe são recomendadas e, por si, livremente aceites;
5 - O doente tem o dever de respeitar as regras de funcionamento dos serviços de saúde;
6 -O doente tem o dever de utilizar os serviços de saúde de forma apropriada e de colaborar activamente na redução de gastos desnecessários.”

Não se esqueçam de cumprirem os vossos deveres para que possam ser respeitados os vossos direitos. Quando existe mútuo respeito, corre sempre tudo bem. Seja no dia-a-dia em sociedade, ou na relação utente/profissional de saúde.

Até breve.